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quinta-feira, abril 3, 2025

Tatuís somem de praias e acendem alerta ambiental

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Pesquisadores de instituições do Rio de Janeiro estão em busca de respostas para um fenômeno que vem intrigando banhistas e cientistas: a drástica redução das populações de tatuís (Emerita brasiliensis) ao longo da costa brasileira. Esses pequenos crustáceos, historicamente abundantes na faixa de areia, vêm desaparecendo de forma consistente, acendendo um alerta sobre as condições ambientais das praias e os impactos do Antropoceno nos ecossistemas marinhos.

O estudo, conduzido por especialistas da Uerj, Unirio e Fiocruz, com apoio da Faperj, investiga os fatores que podem estar comprometendo o ciclo de vida desses organismos. A hipótese central propõe que certas praias funcionam como “fontes” de reprodução, enquanto outras atuam como “sumidouros”, incapazes de sustentar o crescimento das larvas que ali se instalam. Apenas uma ínfima fração — menos de 1% — dos ovos produzidos chega à fase adulta, segundo amostragem realizada na Praia de Fora, no Rio de Janeiro.

O desaparecimento dos tatuís tem consequências mais amplas do que aparenta. Além de estarem na base da cadeia alimentar costeira, esses crustáceos são considerados bioindicadores da qualidade ambiental, por sua alta sensibilidade à poluição. Nas palavras da pesquisadora Rayane Abude, da Unirio, “a ausência dos tatuís pode indicar níveis críticos de contaminação, especialmente próximos a canais de drenagem urbana ou rios poluídos”.

Outro fator relevante é o impacto da atividade humana direta. As larvas que sobrevivem retornam às praias como jovens recrutas, com carapaças frágeis, enterrando-se em áreas molhadas e suscetíveis ao pisoteamento. Praias mais movimentadas tendem a registrar menores densidades desses animais, o que reforça a urgência de repensar a ocupação e o uso recreativo do litoral.

A pesquisa segue em andamento com foco em marcadores genéticos que possam indicar se as larvas retornam às praias de origem ou se dispersam por diferentes regiões. As respostas a essas perguntas poderão contribuir com políticas públicas de preservação costeira e reverter, ao menos em parte, a perda de biodiversidade nas praias brasileiras.

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