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Em pleno Março Amarelo, campanha de conscientização sobre a endometriose, o foco volta-se para uma condição crônica e silenciosa que atinge cerca de 10% das mulheres em idade fértil. Embora benigna, a doença pode comprometer drasticamente a fertilidade e a qualidade de vida, principalmente quando o diagnóstico é tardio — o que, no Brasil, ainda leva entre sete e nove anos, segundo especialistas.
Caracterizada pelo crescimento do endométrio fora do útero, a endometriose manifesta-se com dores menstruais severas, desconforto durante relações sexuais e, em casos avançados, sintomas gastrointestinais ou urinários no período menstrual. Mesmo diante desse quadro, muitas pacientes têm seus relatos desconsiderados, o que adia o início do tratamento e agrava os impactos físicos e emocionais.
Para o cirurgião ginecológico Roberto Carvalhosa, do Hospital da Piedade (RJ), o diagnóstico clínico ainda é o principal caminho para identificar a doença. “Uma anamnese bem feita e um exame físico criterioso podem alcançar até 98% de acerto na suspeita de endometriose. No entanto, muitos profissionais priorizam exames de imagem antes mesmo de examinar a paciente adequadamente”, alerta.
A estudante Mônica Vieira, 25 anos, convive com a endometriose desde os 14. Ela aposta em um tratamento integrado, com foco em mudanças no estilo de vida, fitoterapia e ginecologia natural. Mas reconhece que nem todos os casos são iguais. “Cada mulher sente de forma diferente. O mais importante é não normalizar a dor e buscar uma abordagem individualizada”, ressalta.
Na rede pública, a atenção básica oferece acesso a exames e tratamentos iniciais. Casos cirúrgicos são encaminhados para hospitais de referência. A principal recomendação dos especialistas é que os sinais clínicos não sejam ignorados. A valorização da queixa feminina e o uso estratégico do exame clínico ainda são, segundo médicos, os recursos mais eficazes para um diagnóstico precoce e tratamento assertivo.
[…] Fonte: Gazeta Nordestina […]